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Roberto
Corrêa
No Sertão (Vallée)
Depois
da audição de No Sertão, dá para perceber
que realmente tem algo de errado no nosso país. Enquanto a
grande mídia apresenta músicas de gosto discutível
como a verdadeira “alma” de nossa produção cultural,
o violeiro Roberto Corrêa continua correndo por fora, lançando
seus discos num esquema independente, quebrando os delírios
mercadológicos de uma indústria musical insensível.
Com a ajuda dos arranjos de Mauro Rodrigues, o trabalho de percussão
e de um quinteto de cordas, o violeiro mineiro - que já gravou
discos no exterior e tocou em diversos lugares ao redor do mundo -
traz uma nova marca do regionalismo brasileiro em um disco memorável.
O ponteado de sua viola ganhou a força dos arranjos num resgate
de clássicos da música popular como “Asa Branca” (Luiz
Gonzaga e Humberto Teixeira), “Morro Velho” (Milton Nascimento) e
“Sobradinho” (Sá e Guarabyra). A afinação em
ré maior casa perfeitamente com a sensibilidade quase lírica
da sonoridade erudita das cordas. É um disco delicioso, simples
e com uma proposta realmente inovadora dentro da música popular
brasileira. No Sertão é mais um trabalho digno da perfeição
e técnica de Corrêa. É um bom exemplo de que,
enquanto somos bombardeados diariamente por uma imensidão de
músicas sem um mínimo de brilho e intensidade, Roberto
Corrêa prova que existe música popular brasileira de
qualidade e com um resgate histórico. Ainda bem que, para a
nossa sorte, tem gente nesse país que faz e aposta em trabalhos
enriquecedores. (André Mesquita)
André Mesquita, Revista Cover Guitarra, seção
Lançamentos, maio/1999
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